
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser feito somente com prescrição e acompanhamento médico. A automedicação pode causar efeitos adversos e riscos à saúde.
A diferença entre sobrepeso e obesidade começa no IMC: o sobrepeso corresponde a um índice de massa corporal de 25 a 29,9, e a obesidade começa em 30, dividida em três graus de gravidade crescente.
Mas essa é só a triagem inicial, porque desde 2025 o diagnóstico passou a considerar também onde está a gordura e que impacto ela causa no corpo, não apenas o número na balança.
Além disso, o tema ganhou urgência com um dado difícil de ignorar: mais de 60% dos adultos brasileiros já estão acima do peso, segundo o Vigitel 2025.
Este guia reúne a tabela de IMC com os graus de obesidade, o cálculo do índice, o que mudou no diagnóstico e o momento em que o excesso de peso passa a pedir acompanhamento médico.
Tabela de IMC: sobrepeso e graus de obesidade
O Índice de Massa Corporal (IMC) é a ferramenta de triagem mais usada no mundo para classificar o peso. A tabela a seguir, baseada nos pontos de corte da Organização Mundial da Saúde, mostra as faixas, incluindo os três graus de obesidade.
A obesidade grau 3 é a que muita gente conhece como obesidade mórbida. O termo continua em uso, mas as diretrizes preferem falar em grau 3, por ser mais preciso e menos estigmatizante.
Como calcular o seu IMC
O cálculo é simples: divida o seu peso, em quilos, pela sua altura em metros elevada ao quadrado.
Por exemplo, uma pessoa de 75 kg e 1,70 m de altura: 75 dividido por 1,70 vezes 1,70, o que dá 25,95. Pela tabela, esse resultado indica sobrepeso.
O IMC é um bom ponto de partida, mas tem limites importantes. Ele não diferencia gordura de músculo, não informa onde a gordura está concentrada e não mede o impacto metabólico.
Um fisiculturista pode ter IMC 31 sem excesso de gordura, enquanto uma pessoa com IMC 24 pode ter gordura visceral elevada e alto risco cardiometabólico. Por isso o número, isolado, não traduz o que acontece dentro do organismo.
O que mudou no diagnóstico em 2025
Em janeiro de 2025, uma comissão internacional com 58 especialistas publicou na The Lancet Diabetes & Endocrinology uma redefinição formal da obesidade, endossada por 76 organizações médicas, incluindo ABESO, SBEM e SBCBM.
A proposta central é que o IMC deixa de ser critério único e passa a ser um ponto de partida.
As novas categorias clínicas
A redefinição trouxe duas classificações com implicações práticas importantes, que olham para o impacto da gordura no corpo, e não só para o peso.
- Obesidade pré-clínica: excesso de gordura confirmado, mas sem disfunção nos órgãos. É um fator de risco, e a abordagem principal é acompanhamento e mudança de hábitos.
- Obesidade clínica: excesso de gordura com impacto funcional comprovado, como dores articulares, apneia do sono, alterações metabólicas ou limitação nas atividades diárias. Configura uma doença ativa, com indicação de tratamento mais intensivo.
O sobrepeso, nesse contexto, continua sendo a faixa anterior a esses dois estágios, um estado de alerta que merece monitoramento.
O papel da gordura abdominal
A circunferência abdominal ganhou peso clínico nas novas diretrizes. A gordura visceral, que fica na região da barriga e envolve os órgãos internos, tem associação mais forte com risco cardiometabólico do que o peso total isolado.
Pelos parâmetros das diretrizes brasileiras, valores acima de 94 cm em homens e 80 cm em mulheres já são sinal de alerta, independentemente do IMC.
Sobrepeso sempre vira obesidade?
Nem sempre, mas ignorar o risco também não é realista. Dados citados no documento do Lancet estimam que entre 25% e 30% das pessoas com obesidade pré-clínica evoluem para obesidade clínica em cinco anos.
A progressão depende de fatores genéticos, padrão alimentar, nível de atividade física, qualidade do sono, ambiente social e presença de outras doenças.
Ou seja, não é uma linha inevitável, e sim uma trajetória influenciada por muitos determinantes. Sobrepeso estável com hábitos saudáveis é diferente de sobrepeso em progressão, o que reforça a importância do acompanhamento periódico mesmo sem sintomas.
62% dos brasileiros estão acima do peso
Os números do Vigitel 2025 são difíceis de ignorar. A prevalência de excesso de peso no Brasil passou de 42,6% em 2006 para 62,6% em 2024, um aumento de 20 pontos percentuais em 18 anos.
A obesidade mais que dobrou no mesmo período, de 11,8% para 25,7%, enquanto os casos de diabetes cresceram 135% e os de hipertensão, 31%.
Isso não é um problema de força de vontade
A obesidade é reconhecida como doença crônica, complexa e multifatorial por todas as principais sociedades médicas brasileiras. Envolve regulação hormonal, predisposição genética, ambiente alimentar, qualidade do sono, estresse crônico e condições psicológicas.
O Atlas Mundial da Obesidade 2025 estima que o excesso de peso responde por 60.900 mortes prematuras por ano no Brasil, um impacto que vai muito além da balança.
O impacto do sono no peso
O Vigitel 2025 trouxe um dado novo: 31,7% dos adultos relatam sintomas de insônia e 20,2% dormem menos de seis horas por noite.
O sono insuficiente altera a regulação da grelina e da leptina, os hormônios ligados à fome e à saciedade, o que resulta em mais apetite, maior preferência por alimentos calóricos e mais dificuldade de controlar o peso.
O peso não é só sobre alimentação, é também sobre qualidade de sono.
Quando o sobrepeso precisa de atenção médica
Mais cedo do que se imaginava há alguns anos. A Diretriz Brasileira de 2025 para o manejo da obesidade, elaborada pela ABESO com a SBEM, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a Sociedade Brasileira de Diabetes e a Academia Brasileira do Sono, recomenda que todos os pacientes com sobrepeso ou obesidade tenham o risco cardiovascular formalmente avaliado.
Além disso, pacientes com sobrepeso que apresentem comorbidades como diabetes tipo 2, apneia do sono ou doença cardiovascular estabelecida já podem ter indicação de tratamento farmacológico, conforme avaliação individualizada.
Não existe mais um único número fixo de IMC que determine o tratamento, e sim um conjunto de fatores.
O que o tratamento envolve na prática
O ponto de partida continua sendo a mudança estruturada de estilo de vida, com acompanhamento profissional: reeducação alimentar, atividade física regular e abordagem comportamental.
A recomendação é de equipe multidisciplinar, envolvendo médico, nutricionista, educador físico e, quando necessário, psicólogo.
Quando as medidas iniciais não bastam, ou quando há risco aumentado, o médico pode avaliar tratamento farmacológico ou cirurgia bariátrica. A decisão depende de vários fatores: IMC, comorbidades, resposta a tentativas anteriores e condições clínicas individuais. A individualização do tratamento deixou de ser diferencial e passou a ser regra.
Quem pode tomar medicamentos para emagrecer?
Se o IMC isolado já não define o diagnóstico, ele também não define sozinho a indicação de medicamento GLP-1.
A decisão hoje se baseia em risco global e impacto clínico, avaliando não apenas o peso, mas a presença de comorbidades, o risco cardiovascular estimado, a progressão do quadro e a resposta às mudanças de estilo de vida.
Na prática, o tratamento medicamentoso pode ser considerado para:
- Pessoas com obesidade clínica, especialmente quando já há repercussões metabólicas, articulares ou cardiovasculares.
- Pessoas com IMC igual ou superior a 30 que não obtiveram resposta adequada apenas com intervenção comportamental estruturada.
- Pessoas com sobrepeso (IMC entre 25 e 29,9) que apresentem doenças associadas, como diabetes tipo 2, apneia do sono, hipertensão ou doença cardiovascular estabelecida.
O critério central não é o número na balança, e sim o impacto da gordura corporal sobre a saúde. O medicamento não substitui alimentação adequada, atividade física e acompanhamento, e não é indicado para todos os perfis, já que há contraindicações, interações e efeitos adversos a avaliar individualmente.
Por isso, a prescrição deve ser feita exclusivamente por médico, com acompanhamento regular.
Diagnóstico e acompanhamento responsável
O que mudou em 2025 não foi apenas a definição técnica de obesidade, mas a forma de enxergar risco, progressão e tratamento. O IMC deixou de ser uma sentença isolada, e a avaliação passou a considerar gordura corporal, impacto funcional e risco cardiovascular, o que torna o diagnóstico mais justo e preciso.
Essa sofisticação exige responsabilidade. As avaliações devem ser feitas considerando o histórico do paciente, em instituições reconhecidas, com profissionais qualificados e protocolos baseados em evidência.
Além disso, tratamentos para emagrecimento, sobretudo quando envolvem medicamentos, precisam de acompanhamento médico contínuo, monitoramento de efeitos colaterais e ajuste individual de dose.
Sobrepeso e obesidade são mais do que uma questão estética: são saúde, e por isso pedem um plano estruturado, metas realistas e acompanhamento regular.
O que lembrar
- Sobrepeso é IMC de 25 a 29,9. Obesidade começa em 30, dividida em grau 1 (30 a 34,9), grau 2 (35 a 39,9) e grau 3 (40 ou mais, a antiga obesidade mórbida).
- O IMC é a triagem inicial, mas não diferencia gordura de músculo nem mede onde a gordura está. A circunferência abdominal (acima de 94 cm em homens e 80 cm em mulheres) é sinal de alerta.
- Desde 2025, o diagnóstico considera também o impacto da gordura no corpo, separando obesidade pré-clínica (sem disfunção) de clínica (com disfunção).
- Mais de 62% dos adultos brasileiros estão acima do peso, e a obesidade mais que dobrou desde 2006.
- Sobrepeso com comorbidades (diabetes, apneia, doença cardiovascular) já pode ter indicação de tratamento, conforme avaliação médica.





